Excesso De Vitamina B12 Pode Servir Como Sinal De Alerta Para Câncer Agressivo
- 3 de ago.
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Uma vitamina essencial para o corpo pode também revelar sinais ocultos de um câncer agressivo. Cientistas descobriram uma ligação surpreendente entre níveis elevados de vitamina B12 e pior prognóstico no câncer de cólon.
O câncer de cólon está entre os tipos de câncer mais comuns e mortais do mundo. Mesmo com avanços importantes no diagnóstico e no tratamento nas últimas décadas, milhares de pessoas ainda morrem todos os anos devido à doença, especialmente quando ela se espalha para outros órgãos, como o fígado e os pulmões. Por isso, cientistas buscam constantemente sinais no organismo que possam ajudar a identificar casos mais agressivos e prever quais pacientes apresentam maior risco de complicações.
Agora, um novo estudo internacional chamou atenção para uma ligação surpreendente envolvendo a vitamina B12, um nutriente conhecido principalmente por sua importância para o sangue, os nervos e o funcionamento do cérebro.
A vitamina B12 é essencial para o corpo humano e participa da formação do DNA e da produção de novas células. Porém, pesquisadores começaram a perceber que níveis muito elevados dessa vitamina no sangue também podem aparecer em pessoas com alguns tipos de câncer. Isso levantou uma questão importante: será que níveis altos de vitamina B12 poderiam servir como um sinal de alerta para tumores mais agressivos?

Para investigar essa possibilidade, os cientistas analisaram dados médicos de mais de 37 mil pacientes com câncer de cólon utilizando um enorme banco de dados internacional que reúne informações hospitalares de diferentes instituições de saúde.
Os pesquisadores selecionaram pacientes que haviam realizado exames de vitamina B12 próximo ao momento do diagnóstico do câncer. Em seguida, eles dividiram os participantes em três grupos: pessoas com níveis baixos, normais e elevados da vitamina no sangue.
Depois dessa separação, os pesquisadores acompanharam diversos desfechos clínicos importantes. Eles compararam o tempo de sobrevivência dos pacientes, verificaram se o câncer havia se espalhado para outros órgãos e analisaram exames relacionados ao funcionamento do fígado.
Além disso, os cientistas também estudaram amostras de tecidos tumorais e tecidos saudáveis para investigar genes ligados ao uso da vitamina B12 pelas células cancerígenas. O objetivo era entender se o tumor poderia estar utilizando essa vitamina de alguma forma para favorecer seu crescimento.

Os resultados foram preocupantes. Pacientes com níveis elevados de vitamina B12 apresentaram menor tempo médio de sobrevivência em comparação com aqueles que tinham níveis normais ou baixos. Além disso, esses pacientes também mostraram maior risco de metástases, ou seja, maior chance de o câncer já ter se espalhado para órgãos como fígado, pulmões e cavidade abdominal.
Os cientistas observaram ainda que tumores de pacientes com pior prognóstico apresentavam maior atividade de um gene relacionado ao metabolismo da vitamina B12, sugerindo que o câncer pode utilizar esse nutriente para sustentar seu crescimento acelerado.

Os autores ressaltam que o estudo não significa que a vitamina B12 cause câncer diretamente. A vitamina continua sendo essencial para o funcionamento saudável do organismo. O que os resultados sugerem é que níveis muito elevados da vitamina no sangue podem funcionar como um possível marcador de alerta para casos mais agressivos de câncer de cólon.
Segundo os pesquisadores, no futuro, exames de vitamina B12 poderão ajudar médicos a identificar pacientes que precisam de acompanhamento mais cuidadoso e tratamentos mais intensivos.
LEIA MAIS:
Association between Vitamin B12 Levels and Colon Cancer Survival: A Global Network Study
Bruce Chang-Gu, George Golovko, Anthony P. D’Andrea, and Kamil Khanipov
Cancer Research Communications (2026) 6 (2): 302-309.
Abstract:
Recent studies have reported a link between elevated B12 levels and increased incidence of malignancies. In this study, we compare the association between B12 levels and adverse outcomes in colon cancer, including metastases and mortality. A globally federated multi-institutional database identified patients with colon cancer who had at least one B12 measurement within 1 year of diagnosis. Patients were stratified by B12 status (normal: 300–1,000, elevated: >1,000, and low: <300 pg/mL). Median overall survival (mOS) was compared via log-rank test and Cox proportional hazards models. The incidence of cancer metastases and elevated liver enzymes within 1 year of diagnosis was analyzed and compared using risk ratios. Further gene expression analysis of 283 colon cancer samples from The Cancer Genome Atlas (TCGA) and 304 normal colon tissues from the Genotype-Tissue Expression (GTEx) project was performed. A total of 37,106 patients were identified by TriNetX. High B12 (n = 6,523; mOS = 59.4 months) was associated with a decreased mOS compared with normal (n = 23,965; mOS = 129.8 months) and low (n = 5,167; mOS = 137.3 months) B12 patients. Patients with elevated B12 had higher metastatic involvement and tumor stage at diagnosis and a higher 1-year incidence of all metastases, liver, lung, and peritoneal metastases [risk ratio with 95% confidence intervals of 1.30 (1.24–1.36), 1.56 (1.45–1.68), 1.43 (1.27–1.61), 1.39 (1.24–1.55), respectively]. Gene expression analysis of TCGA and GTEx identified the expression of the B12-dependent methionine synthase (MTR) to be elevated in colon cancer tissue, and increased MTR expression was associated with decreased colon cancer survival (65.8 months vs. undefined). These findings identify the potential clinical relevance of B12 as a biomarker for colon cancer metastases and survival.



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